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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DIVERSIDADE CULTURAL OU DESIGUALDADE SOCIAL?

Navegando pelo facebook, encontrei esse link mostrando a reação de crianças ao verem um homem branco pela primeira vez:

Não resisti a escrever sobre isso...

No link, você verá escrito sobre o vídeo abaixo: "Muitas vezes ficamos tão isolados em nossas bolhas, que esquecemos que no mundo ainda há muita desigualdade para ser superada".



Não quero ser interpretada como alguém que distorce as ideias do autor, então, já advirto que escrevo expondo minhas reflexões a partir do que eu li, do que eu vejo de comentários para esse tipo de texto e, principalmente, da expressão "desigualdade a ser superada". 
Quantas pessoas não viram esse vídeo e pensaram: "Coitadinhas dessas crianças... desconhecem o mundo além da sua tribo".

Sinceramente, prefiro ficar com a riqueza do olhar dessas crianças descobrindo a DIVERSIDADE, olhando pra esse cara quase cor-de-rosa e vendo ali uma PESSOA a ser descoberta.

Ainda me lembro do meu avô italiano contando sobre o dia em que viu um negro pela primeira vez assim que chegou ao Brasil... Não lembro mais como ele disse, mas a imagem em minha memória é rica e tão repleta de curiosidade quanto a reação dos meninos do vídeo:

"achei que estava sujo de "borralho" o bambino!!!" - vô Pierino Muglia, com seus 10 anos.

Vemos muitas (não generalizando) crianças negras sendo criadas e preparadas para um mundo em que serão vítimas de pré-conceitos e discriminações. Essas crianças constroem suas identidades já como oprimidas e vitimizadas, criando em si uma força de defesa e/ou de militância pré-disposta a derrotar os senhores brancos, ao invés de defenderem a ESPÉCIE HUMANA, as CULTURAS HUMANAS, as DIVERSIDADES HUMANAS.

Criar os filhos valorizando seus olhares sensíveis às diversidades humanas em detrimento das desigualdades, não é criá-los para uma visão romântica de mundo, mas para conseguirem olhar para o mundo e ver que não há só o feio, que não há só o sofrimento, que não há só vítimas e criminosos, oprimidos e opressores.

Iniciar os filhos levando-os para a “floresta” a fim de que eles conheçam o mundo e se sintam seguros nele, apesar de todos os perigos, é também ensiná-los que atacar nem sempre é a melhor defesa.

Levar as crianças para a “floresta” e deixá-las descobrir que, sim, é lindo que haja PESSOAS das mais diversas cores e credos e que o amor acontece entre pessoas (não somente entre homens e mulheres) vai prepará-las para olhar as desigualdades sem se colocarem como vítimas de outras culturas ou de um “sistema”, vai prepará-las para olhar as cores do mundo e ter a certeza de que as desigualdades não tem sentido em sua própria existência.
Aí, sim, a luta terá base e força para tentar mudar algo e as injustiças sociais sofridas pelas “minorias”, que nem sempre são minorias, não é, mesmo?

PENSO QUE SÓ DIMINUÍMOS AS DESIGUALDADES SOCIAIS ASSUMINDO UMA POSTURA DE VALORIZAÇÃO DA NOSSA DIVERSIDADE HUMANA/CULTURAL!!!

Apesar de serem lamentáveis as desigualdades, que consigamos parar de lamentá-las para focarmos em nossas humanidades e às suas inerentes diversidades!!!!

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